terça-feira, 11 de março de 2008




"Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta

Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta,

Em que as coisas têm toda a realidade que podem ter,

Pergunto a mim próprio devagar

Porque sequer atribuo eu Beleza às coisas.

Uma flor acaso tem beleza?Tem beleza acaso um fruto?

Não: têm cor e forma E existência apenas.

A beleza é o nome de qualquer coisa que não existe

Que eu dou às coisas em troca do agrado que me dão.

Não significa nada. Então porque digo eu das coisas: são belas?

Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver,Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens Perante as coisas, Perante as coisas que simplesmente existem.

Que difícil ser próprio e não ser senão o visível!

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